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23 abr, 2016

Resenha: “O Caçador e a Rainha do Gelo”

Hoje não é terça-feira, mas a urgência que tenho para resenhar o filme que estou prestes a resenhar é muito grande.

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Quarta-feira (20) foi a pré-estreia de “O Caçador e a Rainha do Gelo”, meio prequência, meio sequência, de “A Branca de Neve e o Caçador”, e eu fui assistir.

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“O Caçador e a Rainha do Gelo” é o típico filme que eu agradeço muito por não ter visto trailer antes de assistir. Fui lá com a mente aberta para qualquer que fosse o destino da franquia… e deu certo.

Achei o filme muito mais cativante, por toda a história da Rainha do Gelo e por conhecermos um pouco melhor a origem do nosso querido Caçador, Eric.

Sou uma grande entusiasta de contos de fada, sejam eles Disney ou não, e não pude deixar de me cativar por cada detalhe e efeito especial que esse filme tem. Acho que quem não gostou do primeiro, com toda a certeza irá gostar deste. Creio que os produtores pegaram as falhas e tentaram compensar de alguma forma nele. Não preciso nem dizer que a presença da incrível Emily Blunt deixou tudo ainda melhor, preciso?

Tomei sustinho com a Rainha Má de volta à trama, de verdade. Como não vi o trailer e nem fiz muita questão de saber mais sobre o filme, fiquei realmente surpresa quando soube que a Rainha Má não estava morta… nem viva.

Também fui conquistada pelos quatro anões que aparecem no filme, sendo maravilhosamente divertidos e convictos com suas opiniões, apesar de serem meio tortas às vezes.

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O filme mostra o que um coração gelado pode causar e a importância da família, não importa se de sangue, tradicional, ou o que seja. O que importa mesmo é saber que você tem com quem contar, sempre. E fica aí a lição de que o amor pode vencer tudo, absolutamente tudo.

Elenco principal: Chris Hemsworth (Thor), como Eric, o Caçador; Charlize Theron (Mad Max), como Ravenna, a Rainha Má; Jessica Chastain (Perdido em Marte), como Sara; e Emily Blunt (O Diabo Veste Prada), como Freya, a Rainha do Gelo.

Love conquers all.

19 abr, 2016

“Sense8”, série original da Netflix

Olá, pessoas! Mais uma resenha nessa linda terça-feira! Convenhamos que o feriado veio dos céus! Enfim, hoje resolvi diversificar. Não irei falar de livros, mas sim de uma série que comecei a assistir e fiquei apaixonada!

Trago hoje pra vocês sobre Sense8, produzida pela Netflix.

Divulgação.

Divulgação.

De início fiquei meio receosa. Aquele pré-julgamento que todo mundo tem.
Mas Sense8 liga a vida de 8 pessoas:

Will que é policial e vive em Chicago.

Riley, uma DJ nascida na Islândia que mora no Reino Unido.

Caphebeus, motorista de van em Nairobi na África, trabalha para conseguir comprar os remédio de sua mãe, que é portadora de HIV.

Sun, uma coreana, economista e filha de um magnata, seu hobbie é praticar kickboxing.

Lito, ele é ator, gay, e vive na Cidade do México com seu namorado.

Kala, ela é farmacêutica, hindu e Indiana. Fervorosa na fé, busca uma solução para se casar com o homem que não ama.

Nomi, que é transexual lésbica, hacker e vive em São Francisco com a namorada.

Wolfgang, um serralheiro, mas um exímio arrombador de cofres que vive com seu melhor amigo em Berlin, Alemanha.

Tudo começa com uma loira misteriosa cometendo suicídio, em um colchão sujo, aparece um médico estranho de cabelo branco de um lado, e o namorado dela do outro. Para escapar do controle mental do médico e salvar o grupo dos 8 que acabaram de “nascer”, ela enfia uma arma na boca e se mata. Após isso, os personagens começam a se ligarem uns aos outros. A princípio, não entendem como funciona, mas no decorrer do tempo aprendem a usar melhor seu dom.

No começo os 8 não se conhecem, porém compartilham as mesmas emoções e aos poucos, vão criando ligações e aprendem a se comunicarem. As pessoas ao redor, até estranham por vezes, por eles aparerecem conversando sozinhos, em um certo episódio, até beijo compartilhado, para quem está de fora, pensa que é indício de loucura.

Divulgação.

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Em um episódio achei bastante interessante a forma como uma simples música mostra a ligação deles: Riley sentada na rua, coloca música com fone de ouvido, os outros sensate começam a escutar a música na cabeça; começa a música no karaokê do Wolfgang; Lito deitado na cama com Hernando e Daniela; Capheus dirige; Sun toma banho; todos começam a cantar com a música; Will procura por Nomi no computador e canta; Nomi deitada na maca cantando; Kala se projeta para perto de Wolfgang no karaokê, ele se projeta no quarto dela e cantam juntos; Nomi no táxi se projeta para perto de Riley e elas começam a cantar.

Esse médico “do mal” que aparece no primeiro episódio quer destruir as pessoas que nascem com esse fator, e para isso, manipula a família dos dotados e impõe que eles possuem uma doença rara no cérebro e que precisariam operar, mas todos que são operados entram em estado vegetativo.

Nome, diagnosticada pelo tal médico, é primeira a incorporar um dos integrantes do grupo e se salvar, mas continua vivendo em constante perigo. Ela chega a conhecer um homem que foi operado por ele, e fica assustada com seu estado vegetativo.

A relação de cada um deles vai se desenvolvendo, e mostrando a realidade nua e crua. O que fazem para sobreviver, e as experiências compartilhadas. Todos os personagens possuem características bem próprias.

Sense8 conquistou uma legião de fãs pela forma como retrata a realidade de cada um, seus dramas e seus instintos de sobrevivência. A série vai criando dimensões e traços em seus 12 episódios com duração em média de 50 minutos cada. Por enquanto temos somente a primeira temporada, mas a segunda já está a caminho.

Divulgação.

Divulgação.

Não saberia escolher apenas um personagem para gostar mais do que os demais, mas em questão de identificação, Sun com toda certeza seria uma personificação de algo que guardamos de irônico por dentro. Me encontrei nela, em sua força, sua predestinação e, claro, sua ironia, o que a tornam uma personagem sensacional. E Caphebeus, a forma como ele cuida de sua mãe e busca de todas as formas prolongar sua vida e diminuir seu sofrimento, trabalhando dia após dia na van, o torna outro personagem cativante.

Recomendo muito a vocês que assistam e me contem o que acharam da série.

Até a próxima!

05 abr, 2016

Tercinha da resenha: “Vingança”, de Catherine Doyle

Mais uma terça-feira de resenha. Hoje eu trago o livro da Catherine Doyle, Vingança (Vendetta). Essa jovem escritora irlandesa conseguiu surpreender e muito com sua escrita detalhada e bem desenvolvida. Além de construir um legado de fãs que só aumentam no seguimento da trilogia.

Título: Vingança
Série: Blood for Blood, vol. 1
Autor: Catherine Doyle
Editora: Agir Now
Páginas: 288
Compre: Fìsico: Amazon, Cultura, Saraiva | Digital: Kindle, Kobo, Lev
Adicione à sua estante: Skoob | Goodreads

Sinopse: Para Sophie, aquele seria só mais um verão lento e abafado em Cedar Hill, fazendo um bico como garçonete no restaurante da família e passando o tempo com sua melhor amiga, Millie. Mas isso foi só até uma família se mudar para o casarão abandonado no fim da rua — cinco irmãos italianos, um mais gato que o anterior. Sem conseguir resistir aos olhos cor de caramelo de Nicoli, Sophie acaba se apaixonando — e propositalmente ignorando os sinais de perigo que envolvem os misteriosos irmãos. Por que as mãos de Nic estão sempre tão machucadas? Por que ele sempre carrega consigo um canivete monogramado? E por que seu irmão mais velho, o arrogante e irritante Luca, quer proibir os dois de ficarem juntos? Quando os segredos sombrios dos rapazes começam a vir à tona, Sophie precisa enfrentar dolorosas verdades em relação à própria família. De repente, ela se vê no meio de uma vendeta entre duas dinastias rivais: a família em que nasceu e a pela qual se apaixonou. Sophie vai precisar escolher entre lealdade e paixão, e, quando o fizer, sangue vai rolar e corações serão partidos, porque, quando se trata de amor, a desonra pode ser uma questão de vida ou morte. Uma mistura ideal de ação, reviravoltas e romance, Vendeta é uma estreia épica que mistura Romeu e Julieta e O poderoso chefão na Chicago dos dias atuais.

O livro que é narrado em primeira pessoa, conta a história de Sophie ou Persephone, que tem 16 anos e vive em Cedar Hill. Seu passado não é um dos melhores, cheio de drama e bastante conturbado. Mais isso não impede a garota de ter seus próprios desejos, e acreditar em seus sonhos. Sophie possui poucos amigos, sua vida de forma pacata é dividida entre ajudar no restaurante de sua família e ficar na companhia de Millie, sua única e melhor amiga.

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Por onde passar, Sophie é alvo de fofocas e caras viradas, devido ao acontecido com seu pai. Ele fora preso, e desde então, todos ao seu redor acabaram pagando por isso, principalmente Sophie. Mas em um dia, chegam à cidade cinco misteriosos garotos de origem italiana, da mesma família, que acabaram se mudando para uma mansão no fim da rua da garota. Sophie se envolve com Nicoli ou Nic, mesmo sua cabeça a alertando de que havia algo errado e perigoso, mas ela não consegue se afastar de Nic. Todos os irmãos guardam segredos. Luca, que é um dos irmãos de Nic, arrogante como ele só, tenta impedir o envolvimento de Nic e Sophie de todos os modos possíveis.

O livro é cheio de mistérios, assim como seus personagens, e o mais incrível é que o livro não cai na monotonia, muito pelo contrário, a trama é envolvente do início ao fim, e o final então nem se fala, é emocionante. O suspense crescente, acontecimentos bombásticos, e a entrada de novos personagens só deixa o livro mais eletrizante ainda.

A autora trabalhou muito bem o destino de cada personagem e o desenrolar da trama. Ela deixa o fio da meada para o próximo livro. Sophie pouco a pouco vai descobrindo os mistérios que os envolvem, e em certos momentos o romance dos dois acaba virando um Romeu e Julieta do século XXI.

Eu como qualquer leitor de Vingança, estamos curiosos pra saber como será o próximo livro, e o que esperar de Catherine Doyle. Sem contar que o gancho deixado por ela para o próximo livro, só aumentou a ansiedade pelo novo. Recomendo e muito lerem esse livro. Vocês irão adorar!

Até a próxima!

29 mar, 2016

Tercinha da resenha: “Uma pequena casa de chá em Cabul”, de Deborah Rodriguez

A resenha desta terça é de um livro que eu li no início do mês e gostei muito:

Título: Uma pequena casa de chá em Cabul
Autor: Deborah Rodriguez
Editora: Quinta Essência / Leya
Páginas: 304
Compre: Fìsico: Amazon, Cultura, Saraiva | Digital: Kindle, Kobo, Lev
Adicione à sua estante: Skoob | Goodreads

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Sinopse:
Sunny é a orgulhosa proprietária de uma pequena casa de chá no coração do Afeganistão e precisa de um plano genial – e rápido – para manter o local e os clientes seguros. Yasmina, uma jovem grávida que fora roubada de seu distante vilarejo e abandonada nas ruas violentas de Cabul. Candace, uma americana rica que finalmente trocou o marido pelo amante afegão, o enigmático Wakil. Isabel, uma jornalista determinada com um segredo que pode privá-la da maior reportagem de sua vida. Halajan, a “mãe” do grupo, uma idosa cujo antigo caso de amor vai contra todas as regras. Essa pequena casa de chá em Cabul atende homens e mulheres, expatriados, funcionários da ONU e mercenários; todos em busca de um momento de paz em uma região onde a tensão paira no ar e uma bomba pode explodir a qualquer momento, mas também se torna o cenário para o encontro dessas cinco mulheres que, mesmo tão diferentes entre si, compartilham segredos e tornam-se amigas com uma relação extraordinária.

Assim como o último livro resenhado aqui, o enredo se passa no Oriente Médio, trazendo a cultura da região para nós do Ocidente, de forma não estereotipada e nos dando vontade de visitar a região um dia.

Sunny, uma mulher americana, já passou por muita coisa nesta vida; seu namorado de longadata, Tommy, sempre está fora de casa, trabalhando, deixando-a na esperança de uma “vida normal”. Mesmo assim, ela continua tocando sua casa de chá com a ajuda de Halajan — uma senhora moderna cuja viveu fora da época do talibã e sabe que a vida pode lhe oferecer amor e novas chances — e seu filho, Ahmet, um afegão tradicionalista com os costumes de sua religião. Seus destinos se encontram com os de Yasmina, uma jovem viúva que fora roubada para ser vendida à prostituição, mas que acaba abandonada no meio de Cabul. Candace e Isabel também são importantes para a história, como mulheres estrangeiras, em meio ao caos que o talibã instaura, tentando conciliar a sobrevivência com a vida profissional com a pessoal e amorosa. A narrativa conta a história de cada um dos personagens, de forma individual, até que se encontrem.

O livro conta como as vidas de mulheres podem ser mudadas por “não obedeceram a regras” que lhe foram impostas, sem liberdade de expressão e nem de vida, sobre seus próprios corpos, sendo torturadas, muitas vezes até a morte. Isabel, jornalista da BBC, acaba por encontrar mulheres vivendo em situações extremas em um presídio, com seus filhos pequenos, sem alimentação e sob atrocidades inimagináveis para nós, do Ocidente.

Mesmo em meio à guerra, ele nos mostra, também, como pode ser árduo o caminho em busca do amor, seja ele da família, dos amigos ou o amor romântico, que estamos em constante busca.

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É importante ressaltar como a autora nos traz orgulhosamente um pouco da cultura e da língua dari, em forma de diálogo e descrições de vestimentas, sensações e até o aroma local. Com certeza, Deborah Rodriguez me fez mergulhar sem volta enquanto eu lia.

Quando bati o olho na capa, achei que ele fosse me interessar — e muito. Vocês devem saber que eu sou a louca do chá, assim como todos os meus amigos, então a capa não poderia chamar menos atenção. Eu não poderia deixar de parabenizar o ilustrador da capa, da Retina 78. A diagramação também está maravilhosa, tanto quanto a produção gráfica. Fizeram a capa de dentro pintada com a mesma cor da de fora.

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A respeito da autora, Deborah Rodriguez é cabeleireira, palestrante e tentou ser líder de banda na época do colégio, antes de ser escritora. Em seus romances, ela relata como é viver no Afeganistão, sempre trazendo discussões culturais e significantes à tona.

É isso! Gostaram da trama? Digam aqui nos comentários!

22 mar, 2016

Tercinha da resenha: “O Filho do Hamas”, por Mosab Hassan Yousef

O livro que eu escolhi hoje tem um conteúdo um pouco diferente dos demais livros citados por mim.
Ele foi lançado há bastante tempo, mas só fui ter conhecimento dele ano passado, exatamente 1 ano atrás: O Filho do Hamas.

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Título: Filho do Hamas
Autor: Mosab Hassan Yousef
Editora: Sextante / Gmt
Páginas: 288
Compre: Físico: Amazon, Cultura, Saraiva | Digital: Kindle, Kobo, Lev
Adicione à sua estante: Skoob | Goodreads

Sinopse:

Desde a infância, Mosab Hassan Yousef viveu nos bastidores do grupo fundamentalista islâmico Hamas e testemunhou as manobras políticas e militares que contribuíram para acirrar a sangrenta disputa no Oriente Médio. Por ser filho mais velho de um dos fundadores da organização, todos acreditavam que ele seguiria os passos do pai.

O livro é o relato impressionante do caminho inesperado que o autor resolve seguir ao questionar o sentido de um conflito que só traz sofrimento para inocentes, sejam eles palestinos ou israelenses. Esta é também uma história de transformação pessoal, uma jornada de redescoberta espiritual que começa com a participação de Mosab num grupo de estudos biblícos e culmina na sua conversão ao cristianismo e na crença de que “amar seus inimigos” é o único caminho para a paz no Oriente Médio.

Mosab Hassan Yousef é o filho mais velho do xeique, líder religioso muçulmano, Hassan Yousef, um dos fundadores do Hamas organização palestina que luta contra Israel. Digamos que esse livro caiu de paraquedas em minhas mãos. Estava estudando Economia Política na grade da faculdade, mas ao passar pela prateleira, vi um livro de capa preta, com um rosto, verde sob os olhos e vermelho sob a boca, intitulado O Filho do Hamas.

Desde o ensino fundamental que me falam muito sobre os conflitos no Oriente Médio. Por curiosidade resolvi ler o livro. E não me arrependi. Demorei 2 dias pra finalizar. Levava pra faculdade e lia, passava horas antes de dormir lendo. Eu e minha amiga, as duas lendo o mesmo livro e trocando informações e pesquisando a fundo, intrigada com o enredo que ele traz.

A narrativa desse livro é tão impressionante que, a cada relato, eu me imaginava junto dele nas variadas situações que ele se encontrava. Entender a mente de uma criança, atrofiada numa guerra, sem escrúpulo algum, aprendendo desde pequeno a engolir certos valores que foram passados de pai para filho, e seguindo sua religião fielmente, sem pontos e nem vírgulas. Isso foi o que Mosab passou.

A disputa entre judeus e palestinos é antiga, mas ter relatos de alguém que conviveu com isso desde que nasceu, te dá uma outra perspectiva. E sinceramente, em algumas passagens chega a ser revoltante. Ele nasceu em Ramallahm, Cisjordânia. Assim como seu pai admirava seu avó, Mosab seguia todos os passos de seu pai. Indo todos os dias com seu pai na Mesquita. Achava-o um homem justo, amoroso e determinado, desejando ser como ele.

Visando não permitir que palestinos cruzassem as fronteiras, israelenses os oprimiam, prendendo e perseguindo líderes religiosos que incentivavam organizações como o Hamas. Medo e ódio era o que se sentia pelas ruas da Cisjordânia e Gaza, reflexo desta disputa desenfreada. Como forma de defesa, crianças e outros civis atiravam pedras nos soldados israelenses quando passavam pelos seus ônibus, tanques e carros, dentre eles, Mosab.

Os mais experientes e influentes planejavam ataques terroristas e outras manobras prejudiciais à Israel. Apesar de nunca completamente ligado a esses ataques, dentro desse último grupo temos o pai de Mosab. O pai de Mosab foi preso inúmeras vezes, por ser um dos líderes que incentivavam o Hamas. Em uma dessas prisões, todo viraram as costas para sua família, Mosab e sua mãe tiveram que enfrentar sozinhos dificuldades financeiras, arrumando formas de sustentar a eles e seus irmãos, mas quando seu pai retornava era motivo de festa.

Mosab foi alimentando seu ódio por Israel e todos os judeus, o ponto alto deste ódio é quando prestes a se formar na escola e a completar 18 anos, comprando armas para se defender dos israelenses. Mosab é descoberto, os soldados de Israel o capturam e levam para a prisão, onde é torturado. Ouvindo a mesma sinfonia, por muitas vezes ficando noites sem dormir, sentado em uma cadeira que mal comportava seu corpo.

Mas, um interrogador propõe que ele se torne um colaborador, uma pessoa influente no meio dos terroristas e revolucionários que, secretamente, passa todas as informações que conseguir para o Shin Bet, serviço de inteligência interno de Israel.

“Ao contar minha história, a maior esperança que tenho é mostrar ao meu povo – os palestinos seguidores do Isla, que têm sido usados por regimes corruptos há centenas de anos – que a verdade pode libertá-los. Também faço esse relato para permitir que o povo israelense saiba que há esperança. Se eu, o filho de um dos líderes de uma organização terrorista cujo objetivo é a extinção de Israel, pude chegar a um ponto no qual não apenas aprendi a amar o povo judeu como também arrisquei minha vida por ele, é porque existe um sinal de esperança.”

Mosab se vê entre os valores que aprendeu desde pequeno, o ódio por Israel e o medo de perder a vida. Neste momento do livro, ele diz sim, se tornando um colaborador. Tendo agora uma vida dupla, o certo não é mais certo, e as incertezas regem sua trajetória. Dentre uma das viagens feitas por ele, Mosab descobre o cristianismo, a Bíblia e Jesus.

Mosab agora fica dividido entre sua família, sua Nação, duas religiões, a sua honra, que até então começa a ser questionada. E de forma alguma podendo levantar suspeitas de sua nova identidade, se descobrisse, ele morreria. Mosab começa a refletir sobre quem são seus verdadeiros inimigos, seu verdadeiro Deus e, principalmente, qual a verdadeira solução para o conflito entre palestinos e israelenses.

Os relatos são emocionantes; cada prisão que ele passa, cada situação que ele enfrenta, nos faz perceber o quão frágeis e indefesos somos, o quanto a vida vale para que permaneçamos numa guerra sangrenta e que, no fim, somente os poderosos irão se sobressair disso tudo. Vemos o quanto pessoas inocentes sofrem e acabam pagando por algo inerente a elas.

Se eu posso tirar uma conclusão desse livro, é que, como seres humanos, somos falhos, porém também somos cruéis, na medida em que a situação exige que sejamos.

Não deixem de ler o livro, vale muitíssimo a pena.

Até a próxima!