Posts marcados na categoria Literatura

02 fev, 2016

Tercinha da resenha: “True”, por Erin McCarthy

Olá! Sou a Vanessa e, a convite da fofíssima Fran, farei resenhas de livros que tenho lido ultimamente ou aqueles que guardo com carinho em minha memória, afinal de contas um livro pode abrir um mundo de descobertas.

O livro que escolhi hoje não é muito o meu gênero de leitura, mas por indicação resolvi me aventurar.
True é um livro do gênero New Adult, ele já está há um tempo no mercado. Aproveitei minhas férias para ler. Confesso que fiquei com um pé atrás. Ler algo desse gênero. Mas…

True, Erin McCarthy

True, Erin McCarthy

Título: True (True #1)
Autora:
 Erin McCarthy
Editora:
 Verus | Grupo Editorial Record
Ano de publicação: 2015
Número de páginas: 258
Compre na Saraiva: Físico | Digital
Adicione no Skoob: Original | Nacional

Sinopse:

“Quando as colegas de quarto de Rory descobrem que a tímida e estudiosa garota nunca passou uma noite com um homem, decidem que vão ajudá-la a perder a virgindade contratando o confiante e tatuado Tyler para fazer o serviço, porém sem o conhecimento dela. Tyler sabe que não é bom o bastante para Rory. Ela é brilhante, enquanto ele está lutando para se formar na faculdade e conseguir um emprego, para, então, poder tirar seus irmãos mais novos da mãe drogada. Mas ele acaba aceitando a proposta, pelo menos como uma oportunidade de conhecer Rory melhor. Há algo nela que o intriga e o faz querer ficar por perto — mesmo sabendo que não deveria. Divididos entre o bom senso e o desejo, os dois se veem envolvidos em uma relação apaixonada. Mas, quando a família desajustada de Tyler ameaça destruir seu futuro — assim como o dela —, Rory precisa decidir se vai cortar os laços com o perigoso mundo do namorado ou se vai seguir seu coração, não importa o preço a pagar.”

Queimei a língua. True é simplesmente apaixonante. Fiquei em uma linha de fogo com a protagonista Rory, um verdadeiro caso de amor e ódio. Nunca gostei de uma principal dependente, ainda mais romanticamente falando, ainda mais drama assíduo entre os protagonistas.

Rory, ao descobrir o que suas amigas fizeram, ao invés de ficar chateada e jogar tudo no ventilador, contraria todas as expectativas e guarda para si mesma. Ao mesmo tempo em que deixa transparecer sua fragilidade, ela sempre está ali para aqueles que precisam dela, independente da circunstância. Tyler é outra surpresa, se você pensa que ele é o típico cara que se acha melhor que qualquer um você está redondamente errado. Principalmente no que se refere a relação entre Tyler e seus irmãos. Ele vive numa verdadeira balança de emoções. Sua mãe dependente química e frustrada, desconta tudo nos irmãos de Tyler, mas ele, em momento algum, desiste dos seus irmãos.

Um dos motivos da história ter me encantado foi justamente essa relação de amor entre os irmãos. Sabemos que é muito difícil enfrentar tudo, ainda mais tendo um dependente químico para tentar um meio de recuperá-lo, agora imagine isso acontecendo no convívio de crianças, e você não pode tirar seus irmãos de lá, porque corre o risco de ir para um abrigo e nunca mais vê-los. Isso que Tyler enfrenta todos os dias: o medo de perder seus irmãos o torna lutador, dia após dia enfrentando seus demônios. Porém, ele encontra a ajuda de Rory e juntos eles descobrem o verdadeiro significado da palavra “True”.

Apesar dos altos e baixos, acredito que True serve como uma lição, passa por cima do “New Adult”, simplesmente por mostrar aquilo que podemos acompanhar de perto, mostrar que a vida tem um valor imensurável, e que todos nós possuímos demônios ao longo de nossa jornada, mas que com ajuda e motivação certa, conseguimos enfrentá-los.

True foi traduzido pela Editora Verus e está disponível aqui no Brasil.

Até a próxima resenha!

09 jun, 2015

Tercinha da resenha: “Americanah”

Tercinha da resenhaaaaa!!!  

Hoje é a primeira resenha de livro que farei. Espero que gostem, pois nunca fiz isso antes – a não ser para um extinto blog meu, que nem lembro mais.

Americanah, edição em inglês Americanah, Companhia das Letras

Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora:
 Random House | Companhia das Letras
Ano de publicação: 2013 | 2014
Número de páginas: 470 | 516
Compre aqui: Físico original | Digital original | Físico nacional | Digital nacional
Adicione no Skoob: Original | Nacional

Sinopse da Companhia das Letras

Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra.
Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.
Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo.

“Em parte história de amor, em parte crítica social, um dos melhores romances que você lerá no ano.” – Los Angeles Times
“Magistral… Uma história de amor épica…” – O, The Oprah Magazine

  • Vencedor do National Book Critics Circle Award;
  • Eleito um dos 10 melhores livros do ano pela NYT Book Review;
  • Direitos para cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Doze anos de escravidão.

Já falei do discurso sobre o feminismo no TEDxTalks da Chimamanda aqui. É só clicar!

Minha visão (Atenção: pode conter spoilers)

Ifemelu vivia em Lagos, na Nigéria, com seus pais em um apartamento alugado, cujo sempre ficava sem energia por conta da recessão que a região estava sofrendo na época. A vida de Ifemelu de repente vira do avesso: seu pai perde o emprego de anos, sua mãe tem de sustentar a casa com o salário de professora e sua tia médica perde o namorado num conflito militar e precisa sumir com seu primo recém-nascido.

Após conhecer Obinze, o amor de sua vida, e viver no meio de uma greve eterna em sua universidade, Ifemelu se sente confusa: se deve aproveitar a chance de morar nos EUA com sua tia, Uju, ou ficar em sua terra tentando uma melhora de vida para sua família. Por fim, ela decide ir embora e ajudar a cuidar de seu primo, Dike, enquanto as aulas não começam e ela não consegue um emprego, observando de perto a crise sentimental e psicológica de sua tia.

Ifemelu logo cria um blog (oi!) para relatar os causos de uma mulher negra vinda de um país da África. Ela se sente conflituosa por não poder ser quem ela realmente é para viver socialmente – na maioria das vezes, precisa fingir ter sotaque estadunidense, sendo seu sotaque igbu nativo, e sente a necessidade de alisar o cabelo com relaxamentos nocivos à seu coro cabeludo.

Ifemelu acaba deixando de lado seu relacionamento a longa distância (EUA – Nigéria) com Obinze por algo que ela faz por dinheiro, durante seu claro desespero por não conseguir um emprego, mesmo com o cartão-cidadão de outra pessoa (prática comum entre pessoas não-estadunidenses). Ela não responde mais a suas ligações, mensagens, e-mails e nem mesmo correspondências.

O romance é primeiramente narrado no presente, em que Ifemelu está num salão de cabeleireiros fazendo tranças enraizadas para voltar para casa, na Nigéria. O restante da narrativa envolve totalmente o leitor em torno do presente e do passado, que a fez decidir por se mudar e depois voltar.

[Edit] Achei importante ler em inglês, pois há vícios de linguagem que imaginei não serem passíveis de tradução para o português. São vícios de linguagem estadunidenses, nigerianos, ingleses, enfim. [/Edit]

Achei “Americanah” um dos melhores livros que já li, em construção narrativa e em diversidade cultural, pois ele mostra que não é de pobreza que os países da África são construídos. O romance é muito bem contado, com flashbacks e situações no presente.

Porém (ah, sempre tem um)…

Achei que até 80% do livro tudo fluiu muito bem. No fim dele, senti falta de explorar os personagens que já haviam sido apresentados durante a história. Eu sei que o livro deveria se passar em torno da história de Ifemelu somente, porém os outros foram tão bem descritos durante o romance que eu senti falta de um desfecho para eles, ou, pelo menos, citá-los.

Chimamanda escreve muito bem, mas eu senti falta de uma conclusão mais bem escrita. Apesar de o livro ter 470 páginas (em inglês), não me importaria se ele tivesse quase 600 para dar um final bom o suficiente para cada um dos personagens. A impressão que tive, é que o fim do livro teve de ser escrito às pressas.

Chimamanda-Ngozi-Adichie-Americanah-National-Books-Prize-BellaNaija

Chimamanda Ngozi Adichie

Nota:

Trilha sonora

Sempre que leio um livro, escolho um álbum para me acompanhar na trilha sonora, porque me distraio com playlists muito variadas. Neste, escolhi o álbum curtinho, porém muito bom da Solange Knowles, “True”. O clipe de “Losing You” foi gravado inteiramente em Cape Town, na África. Inclusive o álbum tem várias referências do país. ♥

Outra trilha sonora que achei bem propícia para o livro bem no finzinho dele, onde Ifemelu diz “I’m a grown woman!” é essa música maravilhosa, com inserções africanas, da master diva Beyoncé.

É isso! Espero que tenham gostado.

Digam aqui nos comentários o que acharam ou lá na página do Outtamind. ♥~

E não esqueçam de responder à pesquisa de público!