Posts arquivados em Autor: Vanessa Barreto

26 jul, 2016

Resenha: “3096 Dias”, por Natascha Kampusch

Hey! Voltei com os livros, e hoje eu trago um bem pesado. Tanto no conteúdo, quanto em sua finalidade.
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Sinopse: Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador – o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero. Natascha Kampusch fala abertamente sobre o sequestro, o período no cativeiro, seu relacionamento com o sequestrador e, sobretudo, como conseguiu escapar do inferno, permitindo ao leitor compreender os processos de transformação psicológica pelos quais passa uma pessoa mantida em cativeiro, sofrendo todo tipo de agressão física e mental imaginável.

Natascha começa seu livro apresentando sua visão do mundo quando era criança, seus olhos de infância relatando sua mais pura visão da humanidade, a relação com sua família e as mudanças ao longo dos anos. Filha caçula, começou a ficar acima do peso, e ter problemas de baixo estima. Os problemas e desafetos em casa desenvolveram nela um desejo por independência e liberdade, idealizando seus 18 anos como a idade em que sua vida mudaria, pois já seria uma adulta. Mas isso muda quando estava pela primeira vez,  indo sozinha de casa para a escola, todos os seus sonhos e planos foram interrompidos por Wolfgaang Priklopil, que a sequestrou e a levou para um cativeiro – seu “lar” pelos próximos oito anos.

O livro foi escrito por ela após sua fuga, e da morte de seu sequestrador, que havia cometido suicídio, após ela ser resgatada. Ela descreve com riquezas de detalhes tudo que sofreu, dentro do cativeiro, é nítida sua regressão comportamental, até mesmo por ter sido um abismo de difícil enfrentar isso tudo e apenas com 10 anos de idade. Além de perder qualquer contato exterior, e perder sua infância e parte de sua vida ali, e tentar descobrir como o mundo avançava sem ela.

Natascha discorre sobre tortura psicológica e física, apresentando as causas e consequências do que vivenciou no cativeiro, como determinada ação do sequestrador tinha um efeito específico sobre seu corpo e sua mente. Podemos ver  como foi privada de sua liberdade e autoconfiança, como foi “trabalhada” pelo sequestrador até que ela se aproximasse daquilo que ele considerava ideal e, como mesmo assim, não era o bastante para ele.

A leitura é bem pesada, mas não tem como não se envolver pela luta de Natascha, bem como sua superação, mas é impossível não vir o gosto de repulsa à boca quando ela começa a relatar os abusos que sofria, as surras, maus tratos, e a cada nova página esperando quando tudo isso teria um ponto final.

É uma lição, com toda certeza a vida dela durante esse tempo, e a forma como tudo acabou, com ele pude tentar entender um pouco mais o ser humano, e as adversidades a que muitos de nós são submetidos, falo isso porque a situação de Natascha descrita no livro não é raridade, acontece mais do que se imagina, e na maioria das vezes as vítimas não contam com a sorte que ela teve, é um livro muito bom para refletir, mas se você não tem estômago, não leia, é bem pesado em todos os sentidos, mas se me perguntassem se eu indicaria, com toda certeza diria que sim.

Não se sabe ao certo se Natascha foi quem escreveu tudo, mas ela contou com a colaboração de duas outras escritoras, e para quem tem curiosidade, ela foi liberta de seu cativeiro em 2006, e chorou copiosamente com a morte de seu algoz, segundo relato dos policiais na época. Enfim, leiam, é uma experiência e tanto.

Beijos, e até a próxima.

19 jul, 2016

Resenha: “The Tudors”, série da Showtime

Já que eu dei a louca das séries, ainda mais de férias da faculdade, fui me aventurar pelo mundo de indicações da Netflix. Me deparei com The Tudors. Minha amiga, que já tinha assistido, me convenceu a continuar a ver.
O incentivo dela só ajudou, porque a série é ótima. E se você, assim como eu, não assistiu ou já ouviu falar e ficou com preguiça, vale muito a pena ver.

Divulgação/HBO

Divulgação/HBO

No período em que “The Tudors” começa, Henrique VIII (vivido por Jonathan Rhys Meyers), então casado com Catarina de Aragão (Maria Doyle Kennedy), princesa de Espanha, católica convicta e adorada pela população inglesa.

Apesar de acomodado no casamento, o rei não era exatamente flor que se cheire. Henrique pegava todas as mulheres que ele achava bonita, inclusive casadas.

A série retrata bem a insatisfação de Catarina, claro que ela sabia tudo o que se passava por seu reino.
Num belo dia, Henrique  coloca os olhos em uma desconhecida dama da corte, que imediatamente lhe chama a atenção.

Trata-se de Ana Bolena (interpretada por Natalie Dormer, a gente até então podia encontrá-la atuando em Game Of Thrones), a bela filha de Thomas Bolena, Conde de Wiltshire.

O Rei logo começa a cortejar a moça, e Ana não demora a corresponder o interesse, mas sendo inteligente como era, e orientada por seu pai e irmão, trata de proteger a perseguida, mantendo assim o interesse do seu pretendente, e não se tornando apenas mais uma na longa lista de conquistas reais.

Ana quer ser nada mais, nada menos, que a Rainha da Inglaterra, colocando Catarina de Aragão para escanteio. E ela consegue instigar Henrique, o enlouquecendo e seu reino junto para conseguir o que queria. Henrique VIII, louco de amor, decide pedir a anulação do seu atual casamento, já que sem isso não poderia unir-se a Ana Bolena e assim consumar a relação.

Divulgação/Showtime

Divulgação/Showtime

Henrique, perde seu filho pela doença do suor, filho de uma relação extra-conjugal, e Ana quase morre também, mas para tristeza de Catarina, ela resiste. Para sua raiva, a Igreja Católica, após longo debate, comete a temeridade de recusar o pedido real.

É a oportunidade perfeita para Thomas Cromwell, conselheiro real e intrigante de plantão, soprar ideias protestantes na orelha atenta de Henrique. O plano era romper em definitivo com a Igreja Católica e assim acabar com a submissão do rei inglês ao Papa. Em substituição, seria fundada a Igreja da Inglaterra, devidamente assentada sobre ideais protestantes, e na qual o Rei seria a autoridade suprema, decidindo o que melhor lhe conviesse em assuntos religiosos. Inclusive anulações de casamento. Thomas entrega um livro para Ana, e então ela começa a colocar ideias e controvérsias em sua mente, dizendo que o rei era o representande de Deus na terra.

A partir daí, a série prossegue acompanhando a evolução das intrigas políticas, religiosas e amorosas, a oposição de Roma e da Espanha (que não queria ver Catarina destronada), a ascensão dos protestantes e de Ana Bolena nas graças do Rei, e o duelo Thomas Cromwell versus Thomas More (Filósofo, e defensor assíduo do Cristianismo).

Enfim, resenhei somente a primeira temporada, mas as outras são fantásticas também. É só pra incentivar a assistirem, e se apaixonarem por essa série assim como eu. Pra quem gosta de Reinos, Reis, Imperadores e toda aquela intriga rolando, The Tudors é pra você.
Aproveitem que ela só tem 4 temporadas e que é finalizada. Dá pra assistir bem rapidinho.

Se você tem alguma série e que queira ver resenhada aqui, só deixar um recadinho pra gente.
Beijos e até a próxima.

08 jul, 2016

Resenha: “Containment”, série da CW.

Além de livros, sou apaixonadaaaaa por séries. Sou daquelas que antes de terminar uma já começa outra. E essa série de hoje não foi diferente.
Vi a sinopse e gostei, mas como tudo tem seu lado ruim, ela foi cancelada, mas merecia e muito que a CW renovasse. Hoje pra vocês: Containment.

Uma misteriosa e mortal epidemia atinge Atlanta, o que força o governo americano a colocar a a cidade em quarentena. O policial de bom coração Alex Carnahan (David Gyasi), mais conhecido como Lex, é o responsável por patrulhar a área, onde está sua namorada, a inteligente Jana (Christina Moses). Dentre eles também está Jake (Chris Wood), um ex-renegado que agora atua como policial. Melhor amigo de Lex, ele deve proteger os mais necessitas, mas seu primeiro instinto é sempre salvar a si próprio. Os moradores que ficaram “presos” enfrentarão uma sinistra luta por sobrevivência.

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Divulgação/CW

Essa série é da mesma escritora que The Vampire Diaries, Julie Plec, e tenho que confessar que ela arrasou, tanto no elenco quanto no enredo da série, cada episódio fica mais emocionante.
Pena que são apenas 13. :(

Containment fala de uma cidade que foi atacada supostamente e precisa ficar de quarentena. O vírus, aparentemente influenza, não se sabe ao certo, foi modificado para afetar humanos, antes só afetava animais.
Ele passa de indivíduo para indivíduo através de fluidos corporais, sangue, muco, suor, entre outros.
Nisso, a cidade vira um caos total, o medo impera. Um cordão de isolamento é colocado ao redor dela para evitar a contaminação de outros locais.
E aquelas que permanecem sudáveis terão que lutar por sua sobrevivência.

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Divulgação/CW

A série é muito boa, quem não assistiu corre pra ver, vou ainda dar um incentivo a mais, o elenco é maravilhoso.
Chris Wood, que interpretou um vilão na 7º temporada de The Vampire Diaries é um dos protagonistas, ele é Jake, o policial que ficou dentro da quarentena.
Temos como co-protagonista Kristen Gutosk, que atuou em Breakout Kings e Relationship Status, entre outros novos e que já dão um show de atuação.

Divulgação/CW

Divulgação/CW

Se você está atrás de uma série nova, e que ela seja de preferência curta, assista Containment. É realmente muito boa, e merecia ser renovada, mas para nossa tristeza isso não aconteceu.
Só nos resta apreciar os 13 episódios.

Beijos e até a próxima resenha!

29 jun, 2016

Resenha: Quântico

Hey! Estou de volta e  trago pra vocês a resenha de uma série que comecei a ver recentemente por indicação de amigos.
E sério, se você não assiste, deveria. Ainda mais se gostar de suspense. Com vocês: Quântico, série da ABC.

Divulgação/ABC

Divulgação/ABC

Sinopse:
Um grupo seleto e diverso de brilhantes recrutas chega à base do FBI Quantico para treinamento.

Eles são considerados alguns dos melhores agentes, mas, paradoxalmente, um deles se torna suspeito de planejar o maior ataque terrorista que os EUA já enfrentou desde o dia 11 de setembro.

O maior ataque terrorista desde o 11 de setembro acontece em Nova York, e o FBI tem certeza que quem cometeu o crime foi Alex Parrish, ex-aluna e atualmente agente do FBI. Acontece que, Alex foi incriminada e não teve nada a ver com isso.
Como todo o FBI atrás dela, Alex vai fazer do possível ao impossível para provar a sua inocência, inclusive ir atrás de seus ex-colegas da Academia atrás da verdade.
Enquanto isso, ao longo dos episódios, vão sendo mostrados flashbacks da época que todos os personagens estavam na Academia, e assim nós desconfiamos de tudo e todos. É impossível não mudar de opinião ao longo dos minutos.
Mas há algo encoberto nisso tudo e ela precisará correr para descobrir o que realmente está por trás do ataque terrorista. A história da série praticamente irá se desenrolar nessa busca do terrorista que explodiu a Grand Station.

Divulgação/ABC

Divulgação/ABC

Se você gosta de investigação, mistérios e coisas do tipo, quântico é pra você! A série está completa em sua 1º temporada, e já foi renovada para a segunda.
Até a próxima!

15 jun, 2016

Resenha: “Crime e Castigo”, por Fiódor Dostoiévski

Hoje não é terça-feira, mas a resenha saiu! Ufa! Hoje trago para vocês o romance Crime e Castigo que narra a história de Rodion Românovitch Raskólnikov, um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito.

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Sinopse: Crime e castigo é um daqueles romances universais que, concebidos no decorrer do romântico século XIX, abriram caminhos ao trágico realismo literário dos tempos modernos. Contando nele a soturna história de um assassino em busca de redenção e ressurreição espiritual, Dostoiévski chegou a explorar, como nenhum outro escritor de sua época, as mais diversas facetas da psicologia humana sujeita a abalos e distorções e, desse modo, criou uma obra de imenso valor artístico, merecidamente cultuada em todas as partes do mundo. O fascinante efeito que produz a leitura de Crime e castigo — angústia, revolta e compaixão renovadas a cada página com um desenlace aliviador — poderia ser comparado à catarse dos monumentais dramas gregos.

O livro se passa em São Petersburgo na Rússia no século XIX. Um rapaz de nome Raskólnikov, ex-estudante, pois, dada a pobreza em que se encontrava teve de abandonar os estudos. Órfão de pai contava apenas com a ajuda de sua mãe e sua irmã Dúnia que moravam até então no interior.
Raskólnikov havia planejado o assassinado de uma velha senhora chamada Aliena Ivánovna, de acordo com ele matar essa senhora seria um “favor” pois ela se aproveitava da pobreza dos cidadãos que empenhavam seus objetos para obter dinheiro pagando juros a senhora. A senhora tinha uma irmã mais nova chamada Lisavieta Ivánovna que ao contrário da irmã era de bom coração.

A história se desenvolve ao redor de Raskólnikov, as motivações que o levaram a cometer o assassinato, bem como o castigo que seria merecido. Aparece ainda como uma personagem secundária, mas que acaba desempenhando um papel fundamental na história: Sônia, filha de um bêbado, no qual Raskólnikov faz uma “amizade”, e acaba ajudando-a em momentos difíceis, e ela retribui-lhe, dando carinho, confiança e força para enfrentar as responsabilidades de seus atos.

O livro retrata a situação de miséria e pobreza em que viviam os personagens, principalmente Raskólnikov e Sonia.
Dadas as circunstâncias e a desigualdade existente levou Sonia a uma vida de prostituição e teria também grande influência no assassinato cometido por Raskólnikov.
Interessante ressaltar a teoria de Raskólnikov, em que de acordo com o livro haviam dois tipos de homens os ordinários e os extraordinários, para os extraordinários não era obrigatório o cumprimento das leis porém para os extraordinários sim, observa-se também que na concepção do personagem Raskólnikov era permitido para um bem comum maior a violação de uma lei como no livro o assassinato, para ele a morte de uma pessoa poderia ser justificada para a salvação de centenas de outras.

Observamos na personalidade de Raskólnikov que ele era uma pessoa confusa, gostava de passa a maior parte do tempo sozinho, mas sempre que precisava tomar uma decisão via como meio de fuga se embrenhar na multidão. Entre delírios e poucos momentos de sanidade via-se a tormenta que existia dentro dele, ao mesmo tempo a preocupação por sua família e a afeição por Sonia. Mesmo após sua condenação ainda não se arrependera, vindo a ter sua redenção por causa do amor que sentia por Sonia. Além disso, a religião é bastante presente no convívio dos personagens, demonstrando que aquilo que determinava-se como certo e errado, girava em torno da crença religiosa.
Dostoiévski ao criar cada personagem e ao ligá-los de alguma ao crime, mostrou a complexidade de cada um, ao modo de interpreta-los, mediante a cada situação a quem eram submetidos.

Para quem gostar de entender um pouco da racionalidade humana, bem como seus refúgios, Crime e Castigo mostra várias facetas humanas, bem como a crueldade da sociedade e dos homens.

Título: Crime e Castigo
Autor: Fiódor Dostoiévski