Design de livros – Parte 1 (Capa)

10.04.2015

Oi, gente. Sei que não apareço aqui há uma semana, mas juro que estive trabalhando muito todos esses dias e também pensando em algo legal para vocês…

Muitas pessoas ficam intrigadas quando digo que sou designer de livros – ou bookdesigner. Perguntam-me qual é o serviço de uma pessoa que faz isso e, bom, não saberia explicar se não fosse por partes. Listarei todas aqui e farei um post para cada.

  1. Capa (Briefing e direção de arte)
  2. Miolo (Criação de projeto gráfico)
  3. Emendas (Revisão)
  4. Arte-finalização
  5. Fechamento de arquivos
  6. Aprovação de plotter
  7. Livro pronto
  8. Feedback dos leitores e reimpressão
  9. Artes para divulgação
♥ O briefing

Mas que raios é isso? De comer? Ah, quem dera (estou com fome).

Brief (eng) = Dossiê. O briefing ou brífingue é um conjunto de informações ou uma coleta de dados passados em uma reunião para o desenvolvimento de um trabalho ou documento. Esse é um instrumento muito utilizado em Administração, Relações Públicas, Design e na Publicidade. O briefing deve produzir um roteiro de ação para criar a solução que o cliente procura, ou seja, é como mapear o problema e, com as pistas identificadas, ter ideias para criar soluções. (Leia mais em: Wikipedia)

Para quem trabalha com ou estuda Comunicação, essa palavra é familiar. Pessoalmente classifico o briefing como a alma do job (lá vem outra palavra publicitária). Sem um bom briefing, não tem como dar prosseguimento ao job. É séria a coisa.

shutterstock.com

Pense comigo:

Você recebe uma proposta de job de um cliente, na qual ele descreve seu produto (um xampu) feito para cabelos oleosos. Logo, você fará uma campanha inteira voltada ao público que tem seus lindos cabelos oleosos, e não secos. Qual a diferença de um produto para um público e para o outro?
Agora, pense se o produto para qual você está trabalhando está descrito errado no briefing. Uma campanha inteira jogada no lixo, não? Briefing errado atinge o público errado. E, também, de acordo com o Artigo 37, da Lei 8078/90, do Código de Defesa do Consumidor, propaganda enganosa é crime.

Agora precisamos separar o briefing em partes:

♥ Público-alvo

Quero deixar claro que público-alvo não é, em absoluta ideia, o único tipo de público a ser atingido. Ele é somente o principal, como o próprio nome diz, alvo.
Para conhecer melhor, é necessária uma pesquisa de público, como esta aqui que peço encarecidamente para que os leitores do Outtamind participem. Claro que a pesquisa varia de produto a produto. A pessoa responsável por ela tem que incluir campos que interessam à marca.
Para qualquer job publicitário, temos que ter em mente o público-alvo que queremos atingir.

shutterstock.com

Características do público

Neste ponto, pensamos no que o público quer encontrar nas prateleiras. Em livros, por exemplo, um romance que se passa em época de ensino médio, tem como público-alvo essa mesma faixa etária. Um livro erótico, de pessoas de 20 a 30 anos, o público-alvo é a mesma faixa. É regra, mas, como disse anteriormente, não é só esse público que é atingido.

♥ Conhecendo a concorrência

No mundo publicitário, é fato que olhamos a concorrência. Uma porque não queremos e não podemos fazer uma campanha parecida; outra porque precisamos sobressair à concorrência pois queremos atingir o mesmo público.

No mundo editorial, pesquisamos as editoras que têm títulos da mesma temática e também pesquisamos se aquele tipo de capa E miolo (falaremos dele depois) teve uma boa venda ou não. Obviamente, não COPIAMOS os projetos. Particularmente, gosto de tudo que seja diferente. De acordo com meus conhecimentos e experiência publicitários, o que é diferente se destaca no PDV (ponto de venda) do que é semelhante ao que já vende.

É válido olhar a fundo todos os gêneros de livros, se você é iniciante.

♥ Capas anteriores para o mesmo público

Visto a concorrência, pesquisamos edições antigas do mesmo título ou de outros títulos de publicação semelhante da nossa editora, para nos inspirar ou nos dizer “não siga este caminho”. Tenho um board no Pinterest onde guardo minhas inspirações para isto.

Para enviar o briefing a um capista, gosto de enviar todas as informações que poderia precisar, já sucintas:

  • Nome do autor
  • Título (Nacional e original, se houver)
  • Edição (Geralmente é a primeira)
  • Volume (Se fizer parte de uma trilogia, série ou saga. Tambem enviar volumes antigos, se houver)
  • Dimensões (Trabalhamos com o padrão “livraria”, 15,7 x 23cm, com orelhas de 8cm e a lombada depende do número de páginas. Se estiver fechado, pedimos o cálculo de lombada à gráfica e enviamos. Explico melhor no post sobre miolo)
  • Link da capa original (Se houver)
  • Recepção do público (Se for uma tradução ou nova edição)
  • Sinopse

Se for ficção e a ideia for fazer uma capa estilo “pôster de cinema”, precisamos de mais essas informações:

  • Características físicas dos personagens
  • Características do cenário
  • Por fim, ideia geral para a capa ou o que esperamos, como publicadora, dela, já que estudamos o público anteriormente.

Finalizado o briefing, enviamos e damos um prazo para o capista. Normalmente são pedidas três propostas e escolhemos uma dessas para aprimorar. Há casos que aprovamos de primeira também, porém claro que depende da precisão do briefing e da interpretação do profissional que está fazendo a capa.
Para entender melhor a criação, fiz a capa do título Sublime, de Christina Lauren. Cliquem aqui para ver.

Com tudo ok, pedimos os arquivos ao capista. O que não pode faltar no pacote:

  • Frente da capa aberta (em .psd ou outra extensão que só a frente foi criada)
  • Fundo – que chamamos de BG ou background (mesmo esquema da frente da capa)
  • Capa aberta, montada, com frente, quarta capa, lombada e orelhas (preferencialmente em extensão do InDesign, mas recebemos muito em Illustrator e Photoshop. Não façam isso. É horripilante)
  • Fontes usadas (importantíssimo)

Feito isso, cuidamos dos detalhes técnicos nós mesmos, que explicarei melhor no artigo sobre fechamento de arquivos.

Sublime

Sublime, Christina Lauren

Gostaria de enfatizar a importância de um briefing bem elaborado e também da interpretação do capista. A criação de uma capa de livro é uma arte visual que atinge os olhos do cliente final; não só a frente, mas a identidade visual dela como um todo. A capa tem que conversar com o enredo do livro e o projeto gráfico do miolo. Sem sincronicidade, nenhuma peça publicitária pode ser considerada boa o suficiente.

Então é isso! Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida, deixem aqui nos comentários que eu responderei com prazer. Também digam se gostaram desse primeiro post da série Design de livros para o Outtamind, que continuarei escrevendo com o maior amor do mundo!

Beijos e até a próxima!

Este post foi criado por mim, com base em minha experiência como designer de livros e publicitária. Quaisquer opiniões adversas devem ser tratadas comigo.


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Francine C. Silva

gosta de compartilhar amor, de trazer felicidade quando a encontra e de dar abraços, se você precisar de um. É uma publicitária sonhadora, que transformou seu hobbie em profissão e hoje trabalha com o que mais gosta: escrever. Sempre carrega um bloco de notas e uma caneta na bolsa, vive organizando suas estantes de livros, tem um cachorro chamado Chuck Berry e é fã de musicais.



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3 Respostas para "Design de livros – Parte 1 (Capa)"

Karina - 15, abril 2015 às (22:01)

Oi, Fran! Abri o post do Imagine Dragons via facebook, mas resolvi comentar nesse aqui. Antes, porém, uma breve consideração sobre o post do ID: aproveite o show por mim! Queria muito ver, não vai rolar, mas é a vida. Eu estou perdidamente apaixonada pelo álbum novo desde o primeiro play, então imagina ao vivo: <3.

Ok. Seguindo em frente. Sabe que desde que vi você comentando nas redes sobre seu trabalho fiquei com muita vontade de te perguntar mais sobre? Vou gostar muito de ler os seus posts sobre o assunto! Embora eu não conheça muito da área, tenho bastante interesse e tô pensando muito em fazer uma pós com uma vibe assim (obviamente não tenho esse seu talento pra design e teria que seguir outros caminhos, mas gosto infinitos de ler sobre e ver como é <3). Enfim. Vai ser bacana pra mim acompanhar sua experiência.

Um beijo!

Responder


Francine C. Silva
abril 21st, 2015 em 9:15 pm
respondeu:

Ah, Kahzinha! Você sempre linda! <3 Ainda sonho em ver um show contigo. Você sabe que tem lugarzinho para ficar aqui em SP, né? Pode vir pra ver The Maine!
Muito obrigada por tudo, lindona. Eu vou continuar a série de posts em breve.

Muitos beijinhos!

Responder

Nanda - 16, abril 2015 às (15:04)

Muy bien! Vida em editora é, ó, SUPIMPA! hahahaha!
<3

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